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ativistas dos direitos humanos de Cabinda elementos do clero local, desde Janeiro passado, na sequência de um ataque armado reivindicado pela Frente de Libertação do Estado de Cabinda - Posição Militar (FLEC-PM) contra os elementos do regime angolano que fazaim a segurança à selecção de futebol do Togo, que resultou na morte de duas pessoas.
Desde 8 de Janeiro estão detidos um advogado, Francisco Luemba, um padre, Raul Tati, um engenheiro, Barnabé Paca Peso, dois economistas, Belchior Tati e António Panzo, um funcionário da petrolífera Cabinda Golf, Andreé Zeferino Puati, e um ex-polícia, José Benjamin Fuca.
Todos os detidos, à excepção do economista António Panzo, são acusados de terem praticado crimes contra a segurança de Estado, tendo no caso de André Zeferino Puati, cujo julgamento deveria ter começado ontem, sido acusado de ter na sua posse o mais subversivo livro da história da humanidade: “O problema de Cabinda exposto e assumido à luz da verdade e da justiça”, de Francisco Luemba.
Recorde-se que o livro em questão, lançado em Portugal (Lisboa e Porto) em 2008 e que tem prefácio do jornalista e nosso colaborador Orlando Castro, foi então completamente ignorado pelos órgão de comunicação social portugueses e angolanos.
Segundo disse à Lusa José Marcos Mavungo, economista de profissão, a manifestação tem ainda como objectivo “exigir um julgamento justo” para os detidos.
“Contamos com o apoio de grande parte da população de Cabinda, porque essa situação das detenções toca a quase todos na província”, disse José Marcos Mavungo, acrescentando que o apoio de delegações das províncias de Luanda e Benguela está garantido.
Sobre António Panzo impende a acusação de crime de propaganda hostil, por terem sido supostamente encontrados na sua residência vários documentos, retirados da Internet, nomeadamente informações veiculados pelo Notícias Lusófonas e pelo blogue Alto Hama.
José Marcos Mavungo referiu que continuam a aguardar um pronunciamento do Governo Provincial de Cabinda em relação à carta em que informam sobre a manifestação, mas adianta que esta deverá ser realizada, com ou sem autorização das autoridades.
“A lei diz que devemos apenas dar a conhecer às autoridades a nossa intenção e não que devemos ter autorização para pô-la em prática. Caso digam que não, trata-se de uma decisão ilegal, porque é um dever cívico, que cabe aos cidadãos, resistir contra decisões injustas”, frisou.
Entretanto, esta semana, a mesma FLEC-PM reivindicou um ataque contra uma coluna de camiões de trabalhadores chineses, do qual terá resultado um morto e um raptado, ambos chineses.
O Governo angolano, pela voz do secretário de Estado dos Direitos Humanos e presidente do Fórum Cabindês para o Diálogo, António Bento Bembe, negou – como aconteceu imediatamente a seguir ao ataque à coluna que acompanhava a selecção do Togo - que o ataque tenha ocorrido e garantiu que se trata de “alucinações” de quem “tanto quer que as coisas aconteçam e, por isso, esforça a imaginação”.
20.05.2010
Fonte: www.noticiaslusofonas.com |